.: Representantes de organizações
internacionais participam do II Encontro Internacional de Metrologia
e Inovação para a Competitividade :.
São
Paulo recebeu no dia 5 o II Encontro Internacional de Metrologia e
Inovação para a Competitividade. O evento, promovido
pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização
e Qualidade Industrial (Inmetro), em parceria com o Instituto Nacional
de Tecnologia (INT), o Movimento Brasil Competitivo (MBC), e o Sebrae
Nacional, tem por objetivo promover debates sobre metrologia e inovação
para a competitividade no nível mundial.
O
início da tarde serviu para a mostra de cases no painel Inovação
na Empresa. O superintendente do Sindicato de Fabricantes de Cerveja,
Sindicerv, Marcos Mesquita, apresentou a proposta elaborada para
controle do principal problema da indústria do setor: a sonegação
de impostos. Ele apresentou dados que mostram que, apenas em 2002,
não foram arrecadados R$ 720 milhões, criando uma
situação de concorrência desleal. A solução
está em um Medidor de Vazão Eletrônico. Instalado
nos tubos de envasilhamento, marca a quantidade do produto que está
sendo distribuída. Esses dados são enviados ao mesmo
tempo para as receitas estadual e federal, para realizar o controle.
Mesquita
defende que a prática é possível, pois existem
no Brasil, 4º maior produtor de cerveja do mundo, 150 linhas
de fabricação. As empresas associadas ao Sindicerv
são responsáveis por 99% do total da produção
no país sendo, junto a indústria de cigarro e automóveis,
uma das principais fontes de impostos para o governo federal, com
R$ 6 bilhões por ano. Queremos o controle da sonegação
de impostos, pois onde todos pagam, todos poderão pagar menos,
defende.
O
Brasil foi o primeiro país a inovar no setor da aviação
quando Alberto Santos Dumont conseguiu decolar o 14-Bis. Hoje, a
Embraer é responsável pela manutenção
dessa tradição. Com quatro unidades no Brasil, além
de estar representada nos Estados Unidos, Alemanha, China, Cingapura
e Austrália, a empresa foi a maior exportadora do país
por três anos consecutivos (1999, 2000 e 2001) e responde
por 2,9% das exportações gerais do Brasil entre janeiro
e julho de 2003. O case foi apresentado pelo Diretor de Qualidade
e Integridade dos Produtos da Embraer, Antonio Carlos Vistorazzo.
Já
o diretor do Centro de Tecnologia da Marinha de São Paulo,
Alan Paes Leme Artou, mostrou os projetos desenvolvidos na instituição
buscando a utlização de energia nuclear. Ele citou
como exemplo um submarino que possui uma autonomia de combustível
de cinco anos. Como ele não necessita emergir para reabastecimento,
dificilmente é percebido por satélites. Por isso,
está sendo utilizado para defesa da costa brasileira.
O
diretor industrial da Siemens VDO, líder mundial em eletrônica
e mecatrônica para automóveis, Maurício Muramoto,
questionou o senso comum do conceito de inovação.
Muitos confundem inovação com alta tecnologia, mas
inovar é trazer segurança e algo que acrescente valor
ao usuário. É fabricar produtos adaptados às
particularidades dos brasileiros. Não seremos líderes
nos rankings de inovação, mas teremos ótimos
produtos, explica. Entre as novas tecnologias apresentadas, está
o Head-up Display, que projeta as imagens do painel do carro no
pára-brisas evitando que o motorista desvie a atenção
do trânsito.
Metrologia,
Inovação e Competitividade a visão do
National Institute of Standards and Technology (NIST) foi o tema
da palestra do diretor da instituição norte-americana
de padronização, Hratch Semerjian. Ele apresentou
o histórico da organização, fundada em 1900
para fixar medidas padrões nos Estados Unidos e a evolução
das convenções de sistemas de medidas como, por exemplo,
o segundo, marcado por um relógio óptico com margem
de erro de um segundo a cada 30 bilhões de anos. Quando foi
convencionado pela primeira vez, a margem era de quatro anos. Não
podemos ficar deitado sobre os louros, pensando que podemos descansar.
Novas tecnologias estão sempre criando demandas, frisou.
Segundo
Semerjian, as prioridades do NIST até 2010 passam pelo desenvolvido
de padrões nas áreas de nanotecnologia, relacionado
a medida do passo de um átomo, da biotecnologia, na tipagem
do código genético, e informática, pela necessidade
de gerenciar a informação de forma eficiente para
facilitar a coleta de dados. Ao terminar destacou que as instituições
de padronização tem função única
e mundial. Independente do nome da organização, pode
ser NIST, Inmetro, o que for, é colaborar para a produtividade,
a competitividade e, principalmente, para melhorar a qualidade de
vida da população, afirma.
O
diretor geral da BIPM, Terry Quinn, falou sobre Metrologia, Inovação
e Competitividade, segundo a visão da Bureal International
des Poids et Mesures. O BIPM, com sede em Paris, na França,
é o órgão responsável pela formatação
do Sistema Internacional de Unidades (SI) e pelas comparações
entre os diversos sistemas no mundo (como medidas de massa, eletricidade
e velocidade). Como exemplo de melhoria promovida pela metrologia,
o palestrante citou os automóveis. Para ele, a eficiência
deve-se ao fato de que, com a padronização, os encaixes
possuem medidas precisas. Antigamente, quando comprávamos
um carro tínhamos que amaciá-lo, ou seja, esperar
que as peças se encaixassem, ao contrário do que acontece
atualmente que as peças são padronizadas, compara.
Terry Quinn analisa a metrologia como a ferramenta que vai alavancar
a competitividade mundial.
Avaliação
da conformidade e competitividade, foi o tema da palestra ministrada
por John Donaldson. O palestrante é sênior adviser
de avaliação da conformidade. Foi presidente do Comitê
de Avaliação de Conformidade da International Organization
of Standardization (ISO/CASCO), sendo habilitado a prestar assistência
técnica nesta área. Na ocasião, Donaldson buscou
ilustrar como a avaliação da conformidade pode facilitar
a competitividade e o comércio. Um produto ou serviço
é competitivo quando segue as normas da qualidade, satisfazendo
as exigências do consumidor e atendendo as regulamentações.
Conforme o palestrante, esse processo, ao qual os laboratórios,
organismos de inspeção, de registro, de certificação
e entidades credenciadoras são avaliados, deve garantir que
os produtos atendam as exigências do mercado.
Na
opinião do especialista, a avaliação da conformidade
é importante para o fornecedor, à medida que propicia
a diferenciação no mercado e a confiabilidade para
os comerciantes. Ao mesmo tempo protege o mercado interno e externo,
garantindo a competitividade mundial. Nesse sentido, o Inmetro promove
um trabalho de extrema importância para o Brasil. Além
de credenciar os organismos de avaliação da conformidade,
vem alcançando reconhecimento internacional de suas competências,
tornando-se um signitário de acordos de reconhecimento.
A
última fala do evento, Os Ventos que Fazem a Motivação
da Equipe, foi realizada pelo secretário da Juventude, Esportes
e Lazer de São Paulo, Lars Grael, comparando os processos
necessários para se velejar com os de gestão da empresa
como, por exemplo, a tripulação de um barco com o
trabalho em equipe, além de mostrar exemplos de superação.
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